· Wedson Almeida Filho

Wedson Almeida Filho e o Rust no kernel

Em 28 de agosto de 2024, as 18:11 no fuso de Brasilia, um brasileiro mandou pra lista do kernel o menor patch da vida dele. Um arquivo, uma linha a menos. A linha era o proprio nome no MAINTAINERS.

Wedson Almeida Filho. Engenharia de computacao na UFRN, em Natal. Passou por Microsoft, Facebook e Google, voltou pra Microsoft em 2022, fez mestrado em seguranca de sistemas em Oxford. Em 14 de abril de 2021, pelo time do Android, assinou o post no blog de seguranca do Google que apresentou o Rust dentro do kernel Linux. No msm dia Miguel Ojeda mandou o primeiro RFC pra lkml e dentro dele ja tinha um Binder em Rust, incompleto, escrito pelo Wedson. Binder e o IPC do Android.

Em dezembro de 2022 o Linux 6.1 saiu com o suporte inicial a Rust e o MAINTAINERS listava tres mantenedores: Miguel Ojeda, Alex Gaynor e Wedson. Muito do que os outros usaram depois nasceu na mao dele. O Ojeda listou na FOSDEM 2025: o Binder, o servidor 9p e o Rust assincrono, o driver NVMe, as abstracoes de sistema de arquivos e o tarfs, o driver de GPIO. Sem ele, disse, o projeto teria demorado muito mais pra sair do chao.

Em maio de 2024, numa sessao sobre Rust em sistemas de arquivos, Ted Ts'o, do ext4, interrompeu a apresentacao dele: voce nao vai forcar todos nos a aprender Rust. Tres meses depois veio o patch de uma linha. O email dizia que depois de quase quatro anos faltava energia pra responder o que ele chamou de bobagem nao tecnica, e deixava o link do video, 3 minutos e 30 segundos, pra quem quisesse contexto. Tbm dizia que se o Linux nao internalizar linguagem com seguranca de memoria, outro kernel vai fazer com ele o que ele fez com o Unix.

Ele saiu. O codigo ficou. Alice Ryhl, do Google reescreveu o Binder em cima do prototipo dele e em 30 de novembro de 2025 o Linux 6.18 saiu com o Binder em Rust no kernel oficial, do lado do C. O Greg Kroah-Hartman avisou no pull: o C vai sair um dia.

Saiu. Em setembro de 2026 o Google mandou o patch que apaga o Binder em C, mais de 11 mil linhas, pro Linux 7.4. Carlos Llamas escreveu que o dia finalmente chegou: 15 anos de complexidade, doloroso de manter, cada feature nova tropecando em vulnerabilidade. O de Rust faz tudo que o C fazia, na msm velocidade ou mais rapido, e ja roda em celular na rua.

O driver que entrou nao e o do Wedson, e o da Alice. E Rust nao virou obrigacao, o proprio email dele diz que ninguem esta forcando ninguem a aprender. Mas e a primeira vez que um driver em Rust substitui um em C que ja esta em producao, em vez de ficar do lado.

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