Lucas De Marchi e o kmod

Em 15 de dezembro de 2011, um brasileiro anunciou a ferramenta que carrega os módulos do kernel Linux. Desde então, toda vez que um Linux sobe, roda código dele.
Dois meses antes, Lennart Poettering e Kay Sievers tinham publicado a "Plumber's Wish List": uma lista do que faltava na base do Linux. Um dos itens era uma biblioteca de verdade para gerenciar módulos, porque udev, systemd e initrd estavam presos a chamar o modprobe na mão.
Lucas De Marchi, engenheiro da ProFUSION, em Curitiba. Em poucas semanas, com o Gustavo Barbieri, ele escreveu a libkmod e as ferramentas em cima dela. Cinco dias depois do anúncio, Jon Masters, mantenedor do module-init-tools, entrou no projeto e declarou o antigo obsoleto. O kmod virou o padrão. Está em git. kernel .org, no Debian, no Fedora, no Arch, no Ubuntu, no NixOS.
modprobe. lsmod. insmod. rmmod. depmod. Você já digitou pelo menos um deles. Todos são o mesmo binário: kmod. Mantido pelo mesmo brasileiro.
Não parou aí. Criou o codespell, que corrige typo em projeto open source do mundo inteiro. Passou doze anos na Intel, onde foi um dos mantenedores do driver Xe, o driver gráfico moderno da Intel no kernel.
Mas em novembro de 2025 mandou o último pull request como mantenedor e seguiu em frente. Nenhuma palestra viral, nada de framework da moda. Uma lista de pendências, uma biblioteca bem feita e quinze anos de manutenção.
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